
Quem vai assumir a gestão do RPPS da sua cidade, ou vai nomear alguém para isso, precisa conferir antes se a pessoa cumpre os requisitos mínimos da lei. Se não cumprir, o RPPS pode ficar irregular e perder o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP).
Esses requisitos estão no art. 8º-B da Lei nº 9.717/1998 e foram detalhados no art. 76 da Portaria MTP nº 1.467/2022, que hoje reúne as regras gerais dos RPPS. Ela substituiu a antiga Portaria nº 9.907/2020.
Quem precisa cumprir o quê
São quatro requisitos, mas nem todos valem para todo mundo:
| Cargo ou função | Ficha limpa | Certificação | Experiência (2 anos) | Nível superior |
|---|---|---|---|---|
| Dirigentes da unidade gestora (presidente, superintendente e demais diretores) | Sim | Sim | Sim | Sim |
| Responsável pela gestão das aplicações dos recursos | Sim | Sim | Sim | Sim |
| Membros titulares do conselho deliberativo | Sim | Sim | — | — |
| Membros titulares do conselho fiscal | Sim | Sim | — | — |
| Membros titulares do comitê de investimentos | Sim | Sim | — | — |
A lei do município pode exigir outros requisitos além desses.
1. Ficha limpa
A pessoa não pode ter condenação criminal nem se enquadrar nas hipóteses de inelegibilidade da Lei Complementar nº 64/1990 (Lei da Ficha Limpa). Na nomeação, ela deve apresentar:
- certidão negativa de antecedentes criminais da Justiça Estadual;
- certidão negativa de antecedentes criminais da Justiça Federal;
- declaração de que não se enquadra em nenhuma hipótese de inelegibilidade.
Os documentos são enviados pelo sistema CADPREV e ficam arquivados no RPPS. A cada 4 anos eles precisam ser renovados. Se a pessoa for condenada durante o mandato, deixa de estar habilitada para o cargo a partir daquela data.
2. Certificação profissional
É uma prova de conhecimento específica para quem atua em RPPS. Ela é emitida por entidade certificadora credenciada pela Secretaria de Regime Próprio e Complementar (SRPC) do Ministério da Previdência. Certificações de mercado que não estejam nessa lista não valem para esse fim.
Existem três tipos de certificado, um para cada função:
- CP RPPS DIRIG — para dirigentes (níveis básico, intermediário e avançado);
- CP RPPS CODEF — para conselheiros deliberativos e fiscais (níveis básico e intermediário);
- CP RPPS CGINV — para o responsável pelos investimentos e para o comitê de investimentos (níveis básico, intermediário e avançado).
Qual nível é exigido?
Desde 1º de janeiro de 2026, o nível depende do porte do RPPS no Indicador de Situação Previdenciária (ISP-RPPS):
| Porte do RPPS | Dirigente máximo | Demais dirigentes (maioria) | Conselhos (maioria) |
|---|---|---|---|
| Pequeno | Básico | Básico | Básico |
| Médio | Intermediário | Básico | Básico |
| Grande e Especial | Avançado | Intermediário | Intermediário |
Para o responsável pelos investimentos e para o comitê, o nível depende do volume de recursos aplicados:
- até R$ 10 milhões: básico;
- de R$ 10 milhões a R$ 500 milhões: intermediário para o responsável e para 1 membro do comitê, e básico para os demais;
- a partir de R$ 500 milhões: avançado para o responsável e para 1 membro do comitê, e intermediário para os demais.
Quem tirou a certificação básica entre 2022 e 2025 continua habilitado até o fim da validade dela, mesmo que hoje o cargo exija nível maior. Na renovação, porém, terá de obter o nível exigido.
Quando a certificação é cobrada?
- Dirigentes e conselheiros: a verificação é anual, todo dia 31 de julho. Precisam estar certificados o dirigente máximo, a maioria dos dirigentes e a maioria dos membros titulares de cada conselho.
- Responsável pelos investimentos e comitê: a certificação é exigida antes da nomeação. Desde 2026 vale para todos os membros titulares do comitê. Nos RPPS com até R$ 5 milhões aplicados o comitê é opcional, e só o responsável pelos investimentos precisa de certificação.
Validade e renovação
O certificado vale por até 4 anos. Ele pode ser obtido por prova, por prova com análise de títulos e experiência ou por curso de capacitação.
Para renovar no mesmo nível, também valem o Programa de Qualificação Continuada (mínimo de 30 créditos por ano em cursos e eventos) e o Curso de Atualização Profissional. Esses dois caminhos só funcionam antes do vencimento. Depois que o certificado vence, é preciso fazer a certificação de novo.
Boa notícia: o RPPS pode usar a taxa de administração para pagar cursos, provas e a renovação das certificações da sua equipe.
3. Experiência profissional
Dirigentes e o responsável pelos investimentos precisam comprovar no mínimo 2 anos de experiência em uma destas áreas:
- previdenciária;
- financeira;
- administrativa;
- contábil;
- jurídica;
- de fiscalização;
- atuarial;
- de auditoria.
A comprovação é feita com documentos que mostrem o exercício da atividade, conforme as regras da lei local.
4. Formação superior
Dirigentes e o responsável pelos investimentos precisam ter curso superior completo, em qualquer área. Diplomas de pós-graduação, mestrado e doutorado também podem ser apresentados.
Quem confere e como comprovar
- O Prefeito (ou o representante legal do ente) confere os documentos do dirigente máximo do RPPS.
- O dirigente máximo confere os documentos dos demais diretores, conselheiros, membros do comitê e do responsável pelos investimentos.
- Tudo é informado no CADPREV, em "Cadastros", no menu "Composição da Estrutura", com os documentos anexados e assinatura digital.
Se os requisitos não forem comprovados no prazo, o RPPS fica irregular nesse critério, o que impede a emissão do CRP até a regularização.
E quem já estava no cargo?
As exigências de experiência e nível superior valem só para quem foi nomeado ou reconduzido depois destas datas:
- 27/04/2020, para os dirigentes;
- 01/07/2022, para o responsável pelos investimentos.
Quem já ocupava o cargo antes e nunca saiu não precisa comprovar esses dois requisitos. A ficha limpa e a certificação, porém, valem para todos.
Vai montar a equipe do seu RPPS?
Conferimos os documentos, orientamos sobre a certificação e fazemos o lançamento no CADPREV.